Com a vida, a gente aprende que a vida realmente não é de se brincar,
que os amigos precisam ser reais, que os que nascem dos movimentos
virtuais permanecem, em muitos casos, na virtualidade das relações, que a
pessoa mais importante pra gente é a gente mesma, que - assim como
mudam as canções – mudam, também, as visões sobre as pessoas, sobre o
que seria ou não sinceridade, sobre o que seria ou não superficialidade.
Os espinhos existem e, não se enganem, sempre existirão. Se tu não os
sentes, é porque ainda não precisastes caminhar sobre eles de pés
descalços até perder a pele e esperar o couro renascer. Outros marços
sempre virão, outras manhãs, outros instantes. A reciclagem da alma, a
faxina do espírito, o banho das palavras, o desprezo disfarçado de
esquecimento, os amigos. É preciso prestar bastante atenção: Deus está
dentro de quem n’Ele acredita, assim como a felicidade só habita quem
dela se aproxima. Experimenta te aproximar da felicidade, da liberdade,
da falta de medo dos repressores...experimenta reciclar-te, esquece o
mundo, fecha os olhos e te enxerga... vais saber que as cores existem
para quem derrama baldes de tinta e pinta no céu um arco-íris em dias de
chuva. Mas muda por ti, não pelos outros. Quando mudares por tu e pra
tu, vais afastar de ti todas as impurezas sociais e virtuais, vais saber
quem, de fato, está ao teu lado, mesmo estando geograficamente
distante, para compartilhar – não dividir – os sorrisos e as lágrimas,
porque que ninguém se engane: só se alcança a plenitude jogando fora
toda estupidez, toda falta de caráter, toda falsa pele de cordeiro. É
imperativo que sejamos sinceros. Não enganemos ninguém... se tu só
queres ouvir coisas serelepes e engraçadas, vais ao circo, mas saibas
que depois do espetáculo os palhaços trocam de roupa, tiram a maquiagem e
viram pessoas normais, que pisam em espinhos de pés descalços, que
perdem a pele e esperam o couro renascer para o espetáculo voltar a
existir. Então não alimenta ilusões, sai do conto de fadas porque as
fadas não caminham pelas ruas do Recife. Eu achei, sem querer, o
personagem que tanto procurei pro livro que tanto desejei escrever, ele
existe e caminha pelas ruas da minha cidade, é de carne e osso, pisa em
espinhos...mas não admite ouvir os gritos de dor de quem também pisa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário