Ouve
o que te digo: Eu vou encostar a minha pele na tua na tentativa de
fazer com que sintas o gelo que me causas por simplesmente sentares ao
meu lado, vou suar litros e mais litros para que ouças o grito da minha
pele perto da tua, não falarei muito porque palavras me faltarão, assim
como sumirá o chão quando, sem querer, eu tocar a tua mão. Mas direi
baixinho para que tu não entendas muito bem -
já que o entendimento, no meu caso, vem com o passar das horas - que
estarei procurando chão quando o que pisarei serão as nuvens. Te olharei
sorrindo porque é rindo que digo as melhores coisas. Te dedicarei
poesias calado, de boca fechada e coração pulsante para que compreendas o
silêncio dos instantes que, sem pretensão nenhuma, podem fincar raízes
na minha memória e se eternizar.
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